A noite já não é tão veloz,
o sono é precário e
o cansaço é visível.
Os olhos já não brilham
e o riso é insosso.
As idéias vivem permanentemente
confusas e qualquer decisão
a tomar é perigosa. Então permaneço parado.
Durante o dia
subo e desço as escadas
esperando chegar a algum lugar
que não seja o quarto escuro ou a sala vazia.
A distração é olhar o relógio
e ver o tempo passar l-e-n-t-a-m-e-n-t-e.
O sono que vem na hora errada,
é a barba que cresce e
nesse meio tempo lembro
de um trecho do poema de Cecília Meireles em que diz...
"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,"Eu não tinha este rosto de hoje,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas..."
Tentei procurar nos espelhos da casa
a minha verdadeira face
e não tive sucesso.
"Em que espelho ficou perdida
a minha face?"
"Em que espelho ficou perdida
a minha face?"
A noite vem chegando e
ela já não é tão veloz assim
e se anuncia fria.
o sono continua precário,
o cansaço é visível
e só me resta a cinza
das horas.
